terça-feira, 23 de agosto de 2016

Segunda parte - Apontando ao norte

Rumo ao Jalapão
Dessa vez, a moto já estava montada do dia anterior. Era um domingo, daqueles preguiçosos... mas acordei ali pelas cinco da manhã – Tinha um longo dia pela frente.
O primeiro objetivo antes de alcaçar o deserto seria a capital do nosso país, Brasília, distante 1150 quilômetros. Uma reta sem fim. A chuva vinha, voltava, ameaçava, molhava e a mão travada no guidão, o acelerador na mesma posição por horas a fio.
Interessante é a passagem entre o triângulo mineiro e o centro-oeste, onde a Anhanguera duplicada vira pista simples e sem acostamento, sem aviso e exatamente a partir da placa de divisa. Ali também uma mata exuberante substitui as plantações de São Paulo e Minas Gerais.
Tendo saído de Taubaté as seis da manhã, cheguei molhado, sujo e fedido em Brasília as nove da noite.
Durante todo o caminho, pensava nos pneus offroad que estavam amarrados na moto, e se realmente seriam úteis. A vontade era jogar eles no mato, principalmente quando cheguei em Brasília e só consegui pousada num hotelzinho que parecia de filme policial, aqueles onde ficam os bandidos escondidos, sem garagem, e tive que levar os pneus pra dentro do quarto comigo. Paguei caro (R$100) e com o pior café da manhã que já tomei em uma pousada. Amanhã quero chegar ao Tocantins.
Acordei melhor que imaginava, conseguia me mexer e não sentia (tanta) dor nos fundilhos. Dei uma volta pra conhecer Brasólha, um salve pra presidanta, e toca pra BR!
Brasília realmente é retrato do país e do povo: A ideia até que era boa, mas descambou pela falta de planejamento na expansão e falta de manutenção. A mim, bicho do mato, não agradou. Pelo menos os motoristas me pareceram educados – alguns até dão seta!
Na estrada passei por várias placas indicando a Chapada dos Veadeiros. A intenção inicial era ir ao jalapão e parar lá na volta. Mas eu não sou de me ater a planos escritos... então, sob insistente chuva, passei por Alto Paraíso e segui, como se mostrou tendência nessa viagem, com a proa apontando à chuva, até a divisa GO/TO. Estava no norte do nosso continental país! Sensacional! E o céu, aqui, azul e limpo!
Tocantins surpreende desde a divisa. O asfalto já muda, como a saída do sudeste para o centro-oeste no dia anterior. O asfalto liso dá lugar a muitos e perigosos buracos, locais ainda sem calçamento, (poucos) caminhões ziguezagueando desviando. Excelente, era o que procurava! O Tocantins, meus amigos, é bruto!
As imagens ainda estão na mente, as belíssimas serras, o verde da mata rasteira, o calor infernal. Decidi parar em Dianópolis, a 850 quilômetros da nossa capital, entrada sul do jalapão, pelo horário e devido a uma ameaçadora e enorme tempestade que se aproximava. Os ventos jogavam a moto pela estrada como um barco à vela.
Peguei uma pousadinha no mesmo nível de Brasília, mas com garagem e preço justo: R$40. E o segundo pior café da manhã que já tomei em pousada. Amanha encaro um pedaço do deserto! Vou tentar dormir à noite!


Brasólha

Divisa de estados

Entrada da chapada dos veadeiros
Estrada após Alto Paraíso/GO


Divisa de estados e regiões, emoção incrível! Norte do nosso país!
E cenário digno na national geographic




Assim chego ao Jalapão. E senta que lá vem história, logo logo a pare do Jalapão aparece!

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